In #12mesesdepoe Livros Tarot

12 MESES DE POE // JUNHO 2017


Hey, amigos!
Como aquela parada do blog, que contei - aqui - terminei atrasando também o desafio #12mesesdepoe e, com outras leituras acumuladas + estudos de modelagem/tarot/inglês, terminei me enrolando pra alcançar o pessoal que já está lendo o conto e a poesia de agosto. 

Porém, contudo, vamos ao conto! TRÊS DOMINGOS NUMA SEMANA: A história é corriqueira: um jovem órfão, o Bobby, - ops! Ele tem um nome!  Amo quando Poe dá nome aos personagens -  vive com o tio-avô, Rumgudgeon, um velho ranzinza. Daí que o tal tio tem uma filha, a Catarina, que é linda e encantadora. Ela e o nosso protagonista estão perdidamente apaixonados. Pena que o senhor não gosta nada dessa história de paixão e enlace de matrimonio planejado. Nenhum dos dois se leva muito à sério; para o velho o sobrinho é novo demais, inconsequente e interesseiro. Para este, o velho é caquético e demente. Até aí, ok. Mas, a grande questão é que sem o consentimento do velho, nada feito, não haverá casamento. 

Travando um discurso pra lá de irônico com o tio, Bobby resolve oficializar o pedido e o sr. Rumgudgeon sentencia: " — Vou fazer-lhe logo esse favor. Você terá meu consentimento... e a bolada, não podemos esquecer a bolada... Vejamos! Quando será? Hoje é domingo, não é? Bem, então... Vocês se casarão precisamente, veja bem! — quando se juntarem três domingos em uma mesma semana. Está-me ouvindo, moço? Por que está ai de boca aberta? Estou dizendo que você terá Catarina e a bolada dela quando se juntarem três domingos numa semana.

Acontece que o tio metido a esperto não sabia que para um malandro sempre há outro. Bobby conhecia dois lobos-do-mar que tinham acabado de chegar à terra firme e os leva para uma conversa com o tutor que não sabe bem a intenção daquelas visitas, mas começa a desconfiar que vem enrolação por aí. Conversa vai, conversa vem, com os contos das viagens ao redor do planeta eles conseguem um jeito de haver mesmo três domingos numa semana. Assim, a ciência (ou a força da natureza) garante o casamento. 

É impressionante a  capacidade de Allan Poe em converter coisas simples e lógicas - como o tempo universal coordenado - em fantásticas; e esse conto, em 4 páginas de arquivo pdf, consegue essa faceta de modo incrível!


Quem acompanha o blog já viu que estudo Tarot e esse poema de Poe, A CIDADE DO MAR, me remete muito a carta da Torre. Nela vemos uma construção de pedra sendo atingida por um raio e caindo em pleno oceano. Em particular, no Tarot Mitológico, a construção é o Labirinto do rei Minos destruído pelo irado deus Poseidon. O tridente é a arma de Poseidon, que aqui representa um dos aspectos da carta A Torre, ele está ligado aos domínios dos instintos e da noite (Poe, presente!). A Torre retrata o colapso dos velhos métodos, a derrocada das fachadas sociais que construímos para esconder nossos lados sombrios. 

A Torre, Tarot Mitológico
Mas, vede! Um frêmito percorre os ares.
Uma onda... Fez-se ali um movimento!
e dir-se-ia que as torres vacilaram
e afundaram de leve na água turva,
abrindo com seus cumes, debilmente,
um vazio nos céus enevoados.
As ondas têm, agora, luz mais rubra,
as horas fluem, lânguidas e fracas.
E quando, entre gemidos sobre-humanos,
a cidade submersa for fixar-se no fundo,
o Inferno, erguido de mil tronos,
curvar-se-á, reverente.
É certeiro, não há como sustentar aparências eternamente, pois aquilo que as mantém está sempre prestes a cair. É necessário romper com estruturas irreais, ou muito angustiantes, e Poe percebeu isso durante toda sua vida. 

Leia o poema A Cidade do Mar na íntegra aqui

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