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12 MESES DE POE : FEVEREIRO/17

Hey, amigos!

Determinei, meio que mentalmente, que a última terça ou quinta-feira de cada mês será destinada ao post sobre o desafio #12mesesdepoe 2017. Em fevereiro tivemos Os Fatos do Caso do Sr. Valdemar (The Facts in the Case of M. Valdemar), que foi escrito em 1845, e é narrado em primeira pessoa, com o relato de um mestre em mesmerismo (hipnose) sobre a experiência de morte pela qual o velho e tísico sr. Valdemar passa.


Com a iminência de morte do paciente, que, desenganado pelos médicos, já tem dia e hora marcados pra partir dessa pra melhor, o narrador - o qual não é revelado o nome - solicita sua autorização para submetê-lo às técnicas do mesmerismo a fim de prolongar a vida ou retardar a certa morte, que seja. Com esses estudos/experimentos o mesmerista irá descobrir quais são as consequências que o estado de torpor pode causar. 

Chegada a hora, a equipe médica que cuidava do sr. Valdemar assiste perplexa aos procedimentos realizados. Desmaio, surpresa e pavor são alguns dos sentimentos despertados diante de tais fatos assombrosos. A partir da pergunta simples "Senhor Valdemar, o senhor ainda está dormindo?" é possível travar um pequeno diálogo no qual as palavras não saem da boca do moribundo, mas da sua língua misteriosa. "Sim, dormindo ainda... morrendo.", é uma das respostas obtidas. E mesmo com aparência cadavérica e todos os indícios de morte o fino fio que o prende à vida é mantido por meses a fio. Será que eles devem acorda-lo? E se acorda-lo, como ele reagirá? 

Quando eles decidem por fim ao experimento, a casa cai. O sr. Valdemar solta um grito final; ele estava no limiar, em suspensão, entre a vida e a morte. Terminado o suplício, a carne que resistira por 7 meses se desfaz em poucos segundos para assombro da geral. Está aí a prova final do mesmerismo; ele funciona, mas a um preço altíssimo. O final não é surpreendente, pois se auto anuncia, mas é terrivelmente macabro. E, diante de relato tão verossímil, a sociedade daquela época fica chocada. Era tudo muito possível para não ser verdade. 

A Adormecida casou perfeitamente com o nosso conto de terror e morte de fevereiro. É mesmo terrível ler a agonia de um amor desfeito, um amor carnal, um amor romântico ou ideal. Está claro e confirmado que tudo que Poe amou, ele amou sozinho. Tudo é muito dolorido quando você segue sozinho. "Alone".  Há de se desejar o melhor para quem se ama, assim é esse poema. A morte é inexorável e feito faca afiada, corta. O nosso poeta amava A Adormecida. O Sr. Valdemar também devia amar a sua vida intensamente a se permitir tal experiência. São perdas. 

Quando escreveu A Adormecida, sua esposa, Virgínia, sofria há tempos da doença dos pulmões. Poe a assistia definhar dia a dia e essas vivências marcariam suas obras fortemente. Para o escritor-gênio "o leito tornava-se um calvário e o mausoléu um santuário". E ele pede a Deus por sua amada que os fantasmas não a assombre, pois já está ele mesmo assombrado. É duro demais lidar com as perdas. 


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