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#12mesesdepoe: ligeia // novembro

Hey, amigos!!

Provavelmente, vocês já desistiram de mim, afinal só tenho furado com o conteúdo aqui do blog. Dias e dias e dias sem post, atrasando a participação no desafio, justo agora, na reta final, não consegui ler dentro do estipulado, enfim. Quero dizer que me cobro demasiadamente, mas não consegui mesmo tirar um tempinho pra escrever. Não por falta de tempo, sei lá. Meus dias tem passado improdutivos, estou num período bem triste e isso reflete mesmo na minha produtividade. Sabe aquele desanimo do nada, mas que é mesmo do tudo? É isso. Meus posts normalmente tem começado com desabafos e isso é mesmo péssimo. Você que entra aqui não merece isso, eu não mereço, ninguém merece, mas tenho essa mania de me justificar sempre, pra tudo e pra todos, isso é péssimo. "JURO PELA MINHA ALMA" que isso será uma das metas para 2017: parar de me explicar/cobrar tanto. E falando em jurar pela alma, vamos ao que interessa, esse conto muito insano, escrito em 10 páginas, que veio pra fundir ainda mais minha cabeça. Ah, Poe! 


Ele é tão louco, tão louco, que não pode lembrar-se quando, ou mesmo precisamente onde, travou, pela primeira vez, conhecimento com Lady Ligéia. Primeiro, é que acontece sempre identificação total com as palavras usadas por Poe. Onde, em sã consciência, alguém "trava" conhecimento com outras pessoas? Pois bem, eis aqui alguém. Consigo pensar em, pelo menos, uma dúzia de pessoas aleatórias que travei conhecimento nos últimos anos. Uma em especial. Não sei bem quando comecei a percebê-lo e fato é que também minha memória tem enfraquecido dia a dia. Lembro apenas quando trocamos palavras. Desde então, ele é como uma sombra que persegue durante dias e dias, inexplicavelmente.
  
Assim, Ligeia (1838), vem dar conta de um homem que vive em luto pela morte do grande amor da sua vida e passa por uma experiência de acompanhar novamente a doença de sua segunda esposa, com quem decide recomeçar a vida, que ironia do destino. Mas, pensando bem, que pessoa é essa (torno a perguntar) a quem um raio atinge duas vezes? Muito estranho... 

Nesse conto, o narrador preza exageradamente pela ambientação, descrevendo cada detalhe de forma obsessiva, como quem quisesse se justificar a todo momento, atribuindo "culpa" a seres inanimados por suas bads trips no ópio. Acho que não teria uma ilustração mais fiel que essa aí, acima, para Ligeia. Uma mulher que possuía cabelos que se espalhavam, na atmosfera agitada pelo vento do quarto, em compactas massas longas e revoltas, e que eram mais negros do que as asas de corvo da meia-noite (meu deus do céu!). O narrador a vê como uma deusa, uma santa, a verdadeira perfeição. Não sei até que ponto essa veneração o perturbou e ainda perturbava e até que ponto tornaram obscuros os dias de lady Rowena, a segunda esposa; e pior, se foi isso que a tornou uma figura amortalhada, reclusa, desgraçada para o amor.   

Esse é um conto demasiadamente rebuscado, muito romântico, com declarações de amor impressionantes. Dá uma conferida nesse trecho em que o narrador descreve seu amor por Ligeia

Senti-a no oceano, na queda dum meteoro. Senti-a nos olhares de pessoas extraordinariamente velhas. E há uma ou duas estrelas no céu (uma especialmente, uma estrela de sexta grandeza dupla e mutável, que se encontra perto da grande estrela da Lira) que, vistas pelo telescópio, me deram aquela sensação. Sentindo-me invadido por ela ao ouvir certos sons de instrumentos de corda e, não poucas vezes, ao ler certos trechos de livros. 

Não deve mesmo ter sido fácil ser lady Rowena...

Nota AMOR MAIOR para Ligeia, penúltimo conto do desafio e que perde apenas para Metzengerstein, meu favorito ever. 

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