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#BOOKREVIEW // VIDAS PROVISÓRIAS, DE EDNEY SILVESTRE


Hey, amigos!
Enfim, um post pra falar de livros. Tem um tempinho que não falo sobre eles aqui, o que demonstra que não tenho lido muito ultimamente. Tinha recebido Vidas Provisórias há alguns meses, mas só agora comecei a ler e, gente, que livro bom. Admiro muito o trabalho de Edney tanto como repórter quanto como crítico cultural, então não duvidei que seria mesmo uma boa obra.

Vida Provisórias vem dar conta de duas vidas, duas histórias que ocorrem em décadas distintas. A primeira, em 1970, relata os dias de Paulo, um estudante que vive a ditadura militar da forma mais terrível que podemos imaginar: sob a pele de um torturado e exilado que vê sua vida se transformar num inferno de uma hora para outra. A segunda, em 1990, porém tão trágica quanto a primeira, está a vida de Bárbara que tem como solução deixar seu país de nascimento (o Brasil), a fim de sobreviver a uma série de pequenas tragédias que vão se acumulando, uma a uma. As narrativas são similares e um tanto curtas, o que confere uma dinâmica ótima para a leitura, ficamos o tempo inteiro retomar cada história. Os personagens são marcantes e cheios de subjetividade. O fato da obra ser dividida em dois livros é um truque de mestre, sem contar a diagramação que deixa a leitura muito leve e dinâmica, adorei!



O livro de Paulo é escrito em letras pretas, já o livro de Bárbara vem com letras azuis, ambos impressos em páginas amareladas. Particularmente, gosto bastante desses signos. Letícia Wierzchowski, por exemplo, lançou mão de cores para determinar os vários personagens do seu livro Sal, e isso diz muito sobre a personalidade de cada um. 

Voltando à Vidas Provisórias, quero falar também da ambientação que a todo tempo nos remete à coisas muito familiares, trechos de músicas e pessoas conhecidas aqui no Brasil, assim como poesias estrangeiras, como "The road not taken", (A estrada não trilhada), de Robert Frost. "Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se, mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria. Assim, por longo tempo eu ali me detive, e um deles observei até um longe declive no qual, dobrando, desaparecia…", A estrada não trilhada é incrível e é, justamente, sobre o isso que o livro vem dar conta; como estamos sempre em bifurcações, escolhendo um caminho e abrindo mão de outros tantos, torcendo que para que as situações ruins sejam sempre uma vida provisória. 

Esse é um livro que, mesmo com personagens fictícios, conta histórias reais, que vemos aos montes todos os dias. Com Vidas Provisórias (2013), Edney entrou para minha lista de escritores contemporâneos favoritos. Já quero ler Dias de Cachorro Louco (1995) e Outros Tempos (2002), ambos com seleção de suas crônicas publicadas em O Globo; Contestadores (2003), com 18 entrevistas realizadas ao longo de sua carreira; Se Eu Fechar os Olhos Agora (2010), que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Melhor Romance e também o Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria Melhor Autor Estreante; A Felicidade é Fácil (2011); Boa noite a todos (2014).  

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