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#12mesesdepoe: Berenice

Hey, amigos, enfim, post! 
Finzinho de outubro e isso significa que tenho um gás para postar: #12mesesdepoe! As coisas andam meio devagar por aqui e tenho tentado encontrar tempo e disposição para publicar com mais regularidade. Enquanto isso, não desistam de mim, sim? O fato é que demoro, mas quando venho, só trago as lindezas esse conto de Poe.


Publicado em 1835, pela Southern Literary Messenger, Berenice conta a história de Egeu, um homem que morava em uma casa antiga, habitada por uma família nobre, cujos os cômodos eram decorados com riqueza. Porém, mesmo com toda essa sofisticação, nosso narrador preferia passar os dias na biblioteca, local do seu nascimento e também de morte da sua mãe.

Porém, digamos que este tenha sido uma espécie de renascimento (ou reencarnação, como queiram), pois Egeu achava que sua existência não tinha começado naquela casa, mas em outra vida a qual ele se lembra muito bem, a cada noite, como se fosse um sonho. E o mundo real para ele era feito pelos pensamentos e esses sonhos experimentados dentro da biblioteca.

Contudo, há uma integrante muito especial dessa família (a qual o sobrenome não é revelado), trata-se de Berenice, prima de Egeu. Os dois foram criados juntos, mas em muito diferiam; ela, cheia de vida, espírito livre a correr pelas montanhas; enquanto ele estava sempre doente, preso em seus pensamentos sombrios e estudos. Pela narrativa é possível sentir uma pontinha de inveja de toda essa disposição e vontade de viver da prima. Até que, de repente, tudo muda. Berenice adquire uma doença que vai fazendo sua fisionomia se transformar. A garota tremia, caída no chão, emitia grunhidos e a cada dia piorava. Sofria, então, de epilepsia, doença desencadeada por uma disfunção do sistema nervoso central.  

Egeu também não ia muito bem e sua doença piorava a cada dia. Mas, não era uma doença física, e sim mental. Ele pensava em uma coisa sem sentido e não conseguia parar mais, tinha fixações com coisas aparentemente sem importância como uma sombra no chão, uma página do livro, repetia uma palavra por horas e horas... 

É nessa atmosfera que ele vem nos contar que não amava Berenice, mas ela, sim, o amava muito. Então, por pena de sua condição física e com a morte a se aproximar dela, ele a pede em casamento. Quando se aproximava a data marcada, sentado na biblioteca, como de costume, a prima parou em sua frente, como se fosse uma sombra de uma mulher. Não lembrava a Berenice de antes, estava muito magra, não dizia nada e apenas sorriu. Esse sorriso, então, desencadeia mais uma fixação no atormentado Egeu. 

Passado o dia do casamento, choros e vozes sofridas acordaram o nosso protagonista. Ao abrir a porta da biblioteca para checar o que acontecia (notem que, ao que parece, não há noite de núpcias, ele não dorme no quarto), recebe a notícia de que Berenice havia morrido. A partir daí, ele relata que entrou numa espécie de transe e que voltou a dormir. Quando acorda, tenta recordar os últimos acontecimentos e é quando lhe batem novamente à porta. Desta vez as notícias são ainda mais perturbadoras. Era um dos empregados dizendo que durante a noite escutaram gritos vindos do túmulo de Berenice, haviam violado a sepultura.

Depois dessa notícia macabra, o empregado tem um choque ao perceber que as roupas de Egeu estavam cheia de sangue. Em seus braços havia marcas de unhas e sangue escorrendo. Diante do susto do criado, de um salto ele alcança a mesa e tenta abrir uma caixa, uma misteriosa caixa de família. Como se todo o ocorrido viesse à tona e ele conseguisse recordar de tudo que aconteceu, tenta proteger a tal caixa, porém sem sucesso, ele estava muito alterado. Assim, a urna cai se desfazendo aos pedaços, trazendo à tona os objetos da sua última e mais profunda obsessão... 

Esse é um conto bastante rebuscado, com estrutura complexa e altamente misteriosa. É muito perturbador e não conseguimos determinar até que ponto o que é relatado é de fato o que aconteceu, pois Poe possuía uma habilidade incrível para criar histórias complexas com personagens psicologicamente abalados. Ao contrário de muitos outros, nesse o nosso protagonista confirma sofrer de uma doença mental e vai nos dando pistas de seu transtorno obsessivo compulsivo e das consequências de seu estado. 

Seria mesmo a doença de Berenice repentina ou Egeu teria algo a ver a com isso? Será que ele não era uma dessas pessoas tóxicas, manipuladoras, que encontramos aos montes na nossa vida?  Ou seria mesmo alguém que do alto de sua doença e suas forças psíquicas conseguiu "sugar" a vitalidade da prima, de uma forma inconsciente e sobrenatural?  Nunca saberemos. 

Mas, afora isso, verdade seja dita: o branco não é mesmo uma cor intrigante?

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