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#12mesesdepoe: o caixão quadrangular

"Às oito da noite as nuvens se abriram a barlavento e tivemos a vantagem de uma lua cheia, dom da fortuna, que serviu maravilhosamente para soerguer o nosso espírito abatido."


Hey, amigos! 

Chegamos ao fim de setembro, alô, alô, graças a Deus! Finalmente li o conto do mês e vou te contar, que conto bom! Destaque para a ambientação que tem tudo que amo: oceano, navio, tempestade, Lua cheia...  Ainda não tinha lido O Caixão Quadrangular, que traz um narrador, digamos, muito fofoqueiro. Gente, o homem não sossegou enquanto não descobria o que tinha no tal caixão quadrangular. Se bem que mesmo descobrindo ele não teve sossego... 


Bem, é melhor começar do começo. Esse conto trata da estória de um homem, o Sr. Cornélio Wyatt, jovem artista que durante uma viagem de navio para Nova York tem sua vida investigada pelo narrador, o qual não é revelado o nome, mas que foi seu amigo de Universidade. Wyatt vira alvo dessa investigação por ter atitudes "muito suspeitas", olha só. Primeiro ele tem uma esposa que até onde se sabia era linda e que quando veio a publico não era tão bela assim; e, segundo, por levar junto à bagagem um caixão quadrangular. Afinal, quem embarcaria numa viagem com tal pertence? Realmente, era preciso investigar a vida desse homem, ora essa!

A partir disso, a curiosidade do narrador cresce de tal forma que ele passa as noites em claro tentando ter qualquer pista que desvende esse mistério. Calcula cada barulho, cada movimento, de forma obsessiva, chegando até a assediar o amigo e sondar o Sr. Hardy, capitão do navio, no intuito de descobrir algo. Porém, os dias se passam sem que nada seja descoberto, até que uma tempestade surpreende os viajantes e o pior acontece. Nesse instante, o narrador percebe claramente que suas suspeitas não eram infundadas, existia mesmo algo de muito esquisito com o Wyatt e sua estranha bagagem. 



O quão Poe é mestre em falar dos mistérios da morte e a nossa relação com esse fato crucial da vida, é mesmo inacreditável. A forma como ele trama os acontecimentos, nos dando pistas a todo momento nos do que está por vir ao tempo que lança iscas para sustentar o mistério até o final do conto, é algo sem igual. Ele é fantástico. O lado perturbador caracterizado por gargalhadas histéricas seguidas sempre de um estado de transe nos faz constatar a insanidade dos personagens e nos aproxima dessa atmosfera de modo instigante. 

Vi algumas pessoas achando esse conto raso ou até desinteressante. Eu o achei incrível, pois está muito próximo do que somos: curiosos, por vezes mórbidos, altamente interessados pelas vidas alheias, especialmente quando se trata das desgraças. É chocante, é triste, mas é verdade. Viva a Edgar Allan Poe que nos esfrega isso na cara e nos faz refletir. Eu amei O Caixão Quadrangular!

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