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#12MESESDEPOE // O CORAÇÃO DENUNCIADOR

Hey, amigos!!
Esse mês foi realmente louco, o que era pra ser uma coisa tranquila e bem good vibes, foi meio baixo mesmo. No meado do mês, lá do dia 15 em diante, tudo virou de cabeça pra baixo, com os ventos de agosto gelando os ossos e retorcendo as tripas, numa angústia sem fim. Não chegou a ser um mês de todo ruim, mas de mortes dolorosas em muitas áreas da minha vida. Por conta disso, não postei tanto, as postagens se resumiram ao desafio de fotografia que estou participando e que acaba amanhã. 

Não foi falta de planejamento, tinha tudo esquematizado, com direito a planner digital e tudo mais, porém não rolou. Estive sem gás, sem vontade e espero que esse estado de coisas melhores. Anyway, vou falar o que achei desse conto MA-RA-VI-LHO-SO que é O Coração Denunciador. Gente. Tem muito a ver com com agosto, esse mês destrambelhado, que amo tanto, mas que quase me matou por motivos de não ter gostado do estado do meu coração apenas, assim como fez o nosso narrador-personagem que decidiu assassinar um velho homem apenas por seus olhos odiosos. Vamos lá.

Contemporâneo ao "O gato preto", O coração denunciador foi publicado em 1843 e é bem curtinho, porém não menos misterioso e cheio de suspense também. Nele, o narrador-personagem, então inominado, tenta a todo custo nos convencer de sua sanidade mental perfeita, denominando-se apenas como um ser extremamente nervoso. Aos poucos, ele vai nos dando elementos para justificar sua pura e real vontade de matar, a troco de quase nada, afinal, ele até gosta do homem, não sente raiva, não quer seu ouro, nada. O que lhe incomodava mesmo era o olho. Um olho de um azul fosco, comprometido por uma catarata, que o cobria como uma névoa. 

Uma vez concebida a ideia de assassinato, ele não descansa. Passa noites e noites a espreitar o quarto do velho, com movimentos muito calculados; era preciso encontrar-se frente a frente com o tal olho. O olho horroroso. Tentou uma, duas, três, oito vezes. Chegando a confessar que seria divertido se pudéssemos vê-lo em ação, do quão era cuidadoso e delicado, que iriamos rir da situação, imagina que insano. A partir daí, ele conta com detalhes como entrou no quarto e deu cabo de vez do olho de abutre e que se não fosse o coração... O maldito Coração Delator*. 



É muito comum nas obras de Poe alusão aos olhos e podemos entender, talvez, que isso se deva ao fato de que estes são mesmo um portal para a alma. Ao tempo que este homem se mostra louco, insano, podemos também perceber que ele está obcecado em acabar com o mal que habita naquela casa, pois está convencido de que os olhos do velho são extremamente demoníacos. É muito interessante que, em determinado momento, ele se mostrar apenas como expectador e que tudo foi apenas obra da Morte, assim, em maiúscula, inexorável. O tempo é outro ponto sempre revelado: relógio, ponteiros, horas... Essas alusões estão muito mais relacionadas aos aspectos psicológicos dos personagens, do que a elementos que estão fora destes, como a necessidade de ambientação, por exemplo. 

Este é mesmo um conto em que o mistério maior é o desfecho. Ao longo de toda a narrativa os acontecimentos vão se desenhando de forma previsível, dentro da ótica de um crime de morte. Mas o final, esse, sim, é surpreendente! Poe é mesmo o melhor.

Aqui o conto numa animação linda (legendado em português: Youtube

* Há várias traduções para este conto: denunciador, delator, revelador... A versão que li é denunciador. 

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2 comentários:

  1. Oi Neila! Eu vim avisar que já atualizei o post com o link da sua resenha, tá? Obrigada por me informar! Não sei se por eu ver somente o seu post hoje (e não tumultuado no meio dos outros quando vou pegar os links) que eu reparei no layout tão agradável do seu blog, achei que devia comentar isso, ele está lindo.
    Obrigada por participar sempre <3

    A.

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    1. Oi, Anna! Eu mudei mesmo o layout, o outro tava muito confuso, poluído... Obrigada por atualizar com meu link e obrigada por ser sempre tão gentil. Um beijo grande.

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