In Amy Winehouse Dezembros Música

23 DE JULHO DE 2011


Hey, amigos!
Há 5 anos, estava deitada no sofá curtindo uma puta ressaca. Tinha saído para um aniversário, na noite anterior e, ainda tentando acordar, ouvi quando Marcos Losekann noticiou a morte de Amy Winehouse, no Jornal Hoje. Eu não conseguia chorar, nem dizer nada. Lembro de minha mãe passando pra lá e pra cá, ocupada nos afazeres do sábado, nessa época eu ainda morava com ela. Diante do meu grito de "não pode ser" me olhou consternada e disse: você sabia que isso iria acontecer, filha. Era natural que dissesse isso. Amy era uma tragédia anunciada, uma mão perdida no jogo de cartas da vida. Na internet, pipocavam piadas de gosto duvidoso, dor, risos, amor... E eu estava imóvel. Acabada por dentro.

Foi preciso uma Rehab negada para ela se tornar um fenômeno mundial, o que já era pra mim com In my Bed, Fuck me Pumps, October Song e Stronger Than Me. Foi por Frank, lançado em 2003, que a conheci. Meio por acaso, num site de rádios online, ouvi In my Bed pela primeira vez e gostei dela de cara. Não acreditava que pudesse haver Amy Winehouse, nascida em 1983. Escrevia suas letras e as cantava sofrida, poderosa e dengosamente genial. Foi tão rápido e tão suficiente; enfim, eu tinha alguém que falava por mim, que estava viva e tinha vivido quase tanto quanto eu, na mesma época que eu. Que contava minha vida em suas canções. 

Queria saber mais sobre essa mulher tão sensível e autêntica, que cantava e vivia o que queria, da forma que queria. Isso foi julho de 2007, um dos piores meses da minha vida. Em outubro de 2006, 10 meses antes, já tinha saído Back to Black e eu ainda estava conhecendo o primeiro CD, lançado em 2003, as coisas demoravam a chegar por aqui, mesmo com internet disponível, há 10 anos atrás tinha um delay nos lançamentos. Eu estava bem triste nessa época, basicamente pelos mesmos fatos que a fizeram criar o segundo CD.

O visual foi se modificando, ela se adequava aos seus sentimentos e expressava isso em suas roupas, cabelo e maquiagem. Amy me mandava uma mensagem e eu interpretava, era muita identificação. Para a fama absurdamente grande foi um pulo. Eu que tinha pouquíssimas informações sobre ela, passei a ver Amy por toda parte. Consegui comprar o CD e comecei a querer saber mais dela. As notícias nem sempre eram boas,   



Uma pedra preciosa não ficaria escondida por muito tempo. Veio, então, Rehab e ela se tornou conhecida no mundo inteiro. Era merecido. Mas, há contrapontos. A sua vida foi devassada, seus medos e demônios expostos. E ela se deixava levar. Era transparente, permitia que qualquer um a pudesse invadir. Todos tinham algo a dizer sobre o seu passado, presente e, principalmente, sobre o seu futuro. Novamente, ela não dava a mínima. Bêbada, cantava que não queria mais beber e só precisava de um amigo. Chorava cantando Back to Black, ao saber que Blake preferia a quem ele já conhecia (e não ela). Se esvaia até não sobrar mais de si entoando Love is a Losing Game. Com um quase enfisema pulmonar e com bulimia severa cantava que não havia débitos, ele nada devia, ela tinha se iludido sozinha e que, assim, secariam as suas lágrimas. Ela queria viver da forma que achava melhor e viveu.  








Para além de tudo, Amy Winehouse deixou na memória algo que hoje parece cada vez mais raro: autenticidade. Cantava o amor e o sofrimento não apenas por serem temas universais, mas por serem próprios dela. Levava sua vida para o palco e também o contrário. Sem amarras, com alma. Agora, finalizando, leio e releio esse texto e acho insuficiente, inacabado. Há coisas que jamais conseguirei escrever sobre essa mulher, mas tenho certeza de uma coisa: não foi o álcool, nem foram as drogas. Amy só queria ser amada por ser quem era na sua essência. E, assim sendo, será eterna, eterna em seu Amor.

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2 comentários:

  1. Lindo, sofrido, perfeito.

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  2. Um dos textos mais emocionantes que já li sobre Amy...

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