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BUDAPESTE, DE CHICO BUARQUE // RESENHA


Hey, amigos!
Li Budapeste em abril e finalmente faço a resenha. Antes, quero registrar que Leite Derramado continua sendo meu livro favorito de Chico, um dos melhores da vida. Nele, me vi velha, ainda mais velha do que sou hoje, mais confusa e apaixonada (me identifiquei muito). Mas, isso é história pra um outro post... Foco e vamos ao que interessa agora: Budapeste!

Engraçado, semana passada surgiu a notícia de um novo trecho da música "meu caro amigo", econtrada por Chico, num desses acasos, enquanto relia uma carta. Até comentei o fato ressaltando que escrever é mesmo cortar palavras, como bem disse Drummond. Trago isso para falar desse livro, que está na minha meta de leitura 2016 (li em março), e traz a história de um ghost-writer com a identidade em crise. É daquelas obras que você vai amar ou odiar, não existe assim assim. Não segue uma lógica de tempo linear, ora ele está no Rio, ora em Budapeste, que é dividida em duas cidades distintas: Buda e Peste, cada uma descrita de acordo com as impressões de José Costa. E tem aquele coisa da falsa leveza da escrita, afinal, é Chico Buarque.

Em meio a pressões de um sócio ambicioso, José Costa termina de escrever a biografia de um empresário alemão, embarcando rumo a Budapeste. Em sua jornada, Costa divide-se entre cidades, amores e livros, enquanto enfrenta uma crise criativa e até mesmo existencial. Conhece uma húngara patinadora em quem vê muito mais uma tábua de salvação numa terra estrangeira do que um amor. A relação deles se aprofunda enquanto um se apóia no outro, já que nosso protagonista enfrenta um perrengue no casamento com Vanda, mulher com tem um filho, "o menino" Joaquim; e Kriska, a patinadora, cuida sozinha de um filho adolescente, Pisti, se desdobrando em aulas particulares e um trabalho de meio período.

Há uma dualidade que permeia todo o livro (retratada com maestria na capa/contracapa). Budapeste e Rio de Janeiro. Húngaro e Português. Kriska e Vanda. Pisti e Joaquim. José Costa e Zsoze Kósta. Há uma dualidade também entre realidade e delírio, fato que deixa muita gente confusa como relação à trama. Houve quem tomasse por rebuscamento desnecessário, floreio e outras coisas que li por aí. O fato é que Budapeste está para todos, mas nem todos estão para Budapeste e isso é ok. E tem o final, surpreendente, fascinante, digno da literatura de Chico. Eu não poderia esperar nada diferente. É um livro curto, pra se ler de uma vez só. Acostume a vista e o coração, não se perca nos longos parágrafos e não tenha problemas de ir e voltar, e de tornar a ir. Assim, você vai amar Budapeste tanto quanto eu.

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