In #12mesesdepoe

#12mesesdepoe: morella

Hey, amigos!!

No deadline, o conto Morella! Pensei que não conseguiria escrever. Ando com uns bloqueios estranhos, ou não tão estranhos assim. Vai saber... 




"Maravilhar-se é  uma felicidade; e é uma felicidade sonhar."  

Esse é um conto intenso, sobre admiração, amor, perda e arrependimento. Como sempre, há traços da dualidade de sentimentos, que ora ama-se perdidamente, ora deseja livrar-se de tal fardo. Escrito em 1835, Morella é narrado em primeira pessoa, o que aproxima ainda mais o expectador. Traz a história de um casamento sem paixão, mas que com o passar do tempo vai ganhando ares de felicidade. 

A inteligência e erudição da esposa, conquista nosso interlocutor que passa a venerá-la, enquanto mulher culta, onde ele próprio se vê mais como seu aluno do que como amante. Porém, pouco a pouco, isso passa a incomodá-lo significativamente, tendo a esposa como misteriosa, um abismo impenetrável, chegando a achá-la repulsiva. Morella parecia entender tal comportamento, mas sem ressentir-se: é o destino esse desamor.                      

"- Jamais existiram esses dias em que podias amar-me… mas aquela a quem na vida aborreceste, depois de morta a adorarás." 

Em uma gravidez complicada, passa a definhar dia a dia, doando assim suas últimas forças à filha que estava por nascer e que seria sua extensão, dada a visão do saudoso e atormentado pai e até mesmo dela própria. Filha esta que crescera sem nome e que teve para si todo amor que a mãe não teve. 

Assim, tentando mostrar que apenas por impulso ou obra fantástica, passados 10 anos, chamou-a também Morella. Há traços evidentes de delírio e loucura (culpa também), sendo quase impossível determinar totalmente a veracidade de alguns relatos, como ocultismo ou se era vítima de algum sortilégio, feitiçaria. 

"Anos e anos podem-se passar, mas a lembrança daquela época, nunca. Desconhecia eu de fato as flores e a vinha, mas o acônito e o cipreste ensombraram-me noite e dia. E não guardei memória de tempo ou de lugar, e as estrelas da minha sorte sumiram do céu e desde então a terra se tornou tenebrosa e suas figuras passaram  perto de mim como sombras esvoaçantes, e entre elas só uma vislumbrava: Morella. Os ventos do firmamento  somente um nome murmuravam aos meus ouvidos e o marulho das ondas sussurra "Morella!" 

Esse é um conto deveras romântico, sobre amor e perda, redenção e remorso. Como um mal agouro torturando nosso personagem profundamente. É dolorido, lindo demais.

Um curta Morella, por Jeff Ferrell: Youtube (em inglês)
Se você caiu aqui no blog pela primeira vez, saiba sobre o desafio #12mesesdepoe aqui: http://vai.la/m5e1

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