que não nos falte amor
nunca
nunca.

In #12mesesdepoe

#12MESESDEPOE // O DEMÔNIO DA PERVERSIDADE


Hey, amigos!! 
Como já falei anteriormente, estou participando do desafio #12mesesdepoe e para fevereiro foi reservado o conto "o demônio da perversidade" . Não ia repercutir aqui, mas esse conto é tão maravilhoso que não resisti a falar das minhas impressões. 
"[...] Durante um momento senti todos os transes da sufocação. Tornei-me cego, surdo e atordoado; e depois, creio que algum demônio invisível bateu-me nas costas com a larga palma. O segredo há tanto tempo retido irrompeu de minha alma. Dizem que me exprimi com perfeita clareza, embora com assinada ênfase e apaixonada precipitação, como se temesse uma interrupção antes de concluir as frases breves mas repletas de importância que me entregavam ao carrasco e ao inferno. 
Tendo relatado tudo quanto era preciso para a plena prova judicial; desmaiei. Que me resta a dizer? Hoje suporto estas cadeias e estou aqui! Amanhã estarei livre de ferros! Mas onde?"
Como pode ser tão gênio? 

Fico imaginando essa mente atormentada, apaixonada, brigando com razão instituída. Não foi à toa que tudo que amou, amou sozinho. Enquanto leio, o imagino se debatendo por dentro, sagrando, louco. É impossível se distanciar e não levar cada trecho pra dentro de mim, para minhas vivências e torturas. Lendo, tento imaginar também como ele estaria se sentindo, pra, daí, tentar interpretar de alguma forma. 

Em "o demônio da perversidade", enxergo um Poe exausto de gente, há um certo desespero por não se enquadrar nas características comuns da sociedade ao tempo que isso é quase uma dádiva. Sua misantropia é gritante, é preciso matar. O ciclo é uma constante de perguntas-respostas, o que seria o céu se torna inferno e o contrário também. Pensar dói, ser humano dói. A angústia de não poder controlar sua vida é aterradora e não há escapatória: ele vai sucumbir. A consciência disso é aterrorizante, a luta é vã e não há recompensa. A sucessão dos dias é um alento, mas não por muito tempo. 

Como podemos ser tão perversos?

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